ANO VOCACIONAL ICM

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Ano Vocacional ICM

Tema: SAV e Juventudes: juntos na Travessia

Símbolo: barco

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Hino do Ano Vocacional

 Objetivo Geral:

  1. Realizar o Ano Vocacional ICM comprometendo-se com as Juventudes, na escuta e acolhida de suas interpelações, suscitando resposta vocacional e engajamento missionário.

Específicos:

  1. Comprometer-se com a formação das Juventudes (propondo valores, a proposta de Jesus, o conhecimento de si e a dimensão da vocação) nos diferentes espaços de missão ICM;
  2. Integrar o SAV e a Pastoral nas Obras;
  3. Desenvolver a Cultura Vocacional nas Comunidades, Obras e espaços de missão ICM, dando especial atenção à Vida Religiosa Consagrada;
  4. Acolher as Juventudes, abrindo nossas mentes, corações e casas;
  5. Iniciar a organização da Juventude ICM.

 

Justificativa:

O tempo favorável

Acreditamos que “Para tudo há um momento, e um tempo certo para cada coisa debaixo do céu” (Ecl 3,1). A Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, considera que o momento presente é um tempo de graça e louvor, momento favorável por excelência (2Cor 6,2) para realizar o Ano Vocacional.

JUVENTUDES: Foco, enfoques e números

O Plano Global de Ação (2015 a 2020) elegeu como uma das prioridades a realização do Ano Vocacional ICM com atenção às Juventudes no seu despertar vocacional e protagonismo. Definimos como foco da missão congregacional: JUVENTUDES – desafio do protagonismo  jovem, em tempos de diferentes culturas.

A temática das juventudes ganha destaque atualmente porque o Brasil conta com cerca de 50 milhões de jovens e porque é exatamente esta camada da população que se encontra em estado mais vulnerável. Assim, para abordar a questão das juventudes, é preciso problematizar sobre as realidades juvenis, perguntando, por exemplo, sobre que realidades são estas, sobre quem são os sujeitos jovens destas realidades e sobre o conceito que temos de juventude. Nesse sentido, consultando o Documento 85 da CNBB, Evangelização e Juventude, constata-se a condição prévia para evangelizar os jovens é conhecê-los, ou seja, inserir-se no contexto concreto do jovem. Assim, a visão que se tem sobre os jovens dependerá do olhar que lançamos sobre eles, do diálogo que estabelecemos com eles e do que efetivamente construímos com eles nesta relação.

Estima-se que a população jovem da América Latina e Caribe nunca tinha sido tão numerosa: mais de 100 milhões de pessoas têm entre 15 e 24 anos. Também no Continente africano grande parte da população africana é formada por jovens, pois o continente apresenta taxas elevadas de natalidade e baixa expectativa de vida. Um tão expressivo número de jovens nos países onde se concentra a maior parte da presença da Congregação através das Obras e comunidades merece nossa atenção e direcionamento de nossa ação missionária. Consideramos importante, entre outros enfoques de trabalho, os seguintes: projeto de Vida, identidade; afetividade, sexualidade; espiritualidade; liderança; vocação; sociedade, modelo econômico, engajamento social solidário, cidadania; família; Igreja/Comunidade; intercâmbio missionário, lazer; saúde; educação; meio ambiente; comunicação; diversidade, inclusão, priorizando sempre as demandas dos jovens de cada realidade e suas necessidades.

A realidade das Juventudes exige de nós proximidade e atitude profética. A opção pelos jovens está no âmago da missão, isto é, no coração do Carisma revelado à Bárbara Maix em Viena, no início da Congregação. Nós Irmãs do Imaculado Coração de Maria, assumimos juntamente com os colaboradores das Obras, com os Leigos ICM, com as lideranças das comunidades eclesiais, a missão de ser sinal da manifestação do Reino de Deus no mundo de hoje, não menos excludente e injusto que o da época de Jesus.

A Pedagogia de Jesus

Na ação pedagógica de Jesus percebemos sua atenção aos interlocutores. Ao jovem rico, olha com atenção e convida-o a fazer uma travessia em relação ao foco de sua vida: dos bens materiais à opção de seguimento (Mc 10,17-22); a Zaqueu, Jesus olha com atenção e o chama para descer de sua “árvore”, condição de vida de suborno para a partilha (Lc 19, 1-10); a Bartimeu, o cego de Jericó, Jesus restitui a visão e o acolhe como discípulo, no caminho para Jerusalém (Mc 10, 46-52); às crianças, acolhe, abraça, colocando-as como modelo para os adultos que desejam entrar no Reino (Mc 10, 13-16), à sogra de Pedro, tomando-a pela mão, faz levantar-se e ela se pôs a servi-los (Mc 1,29-31); à mulher cananeia, atende seu pedido e elogia sua fé (Mt 15, 21-28); à mulher samaritana revela-se como o Messias esperado e a confirma como missionária junto a seu povo (Jo 4, 1-42).

A travessia

Hoje somos convidados/as por Jesus Cristo a fazer a travessia para a outra margem (Mt 8,18-22). A travessia é uma forte característica de Jesus. Ele está sempre passando de um lugar para outro, fazendo caminho, avançando (Lc 9,51-56; 10,38; 13,33; 17,11; 19,12), e nada o impede de chegar à meta (Lc 4,28-30).

Jesus contagia seus discípulos e seguidores e os provoca a vislumbrar novos horizontes: Avancem para a outra margem! (Mt 8,18) Ele os inicia no protagonismo da missão, treinando-os para a liderança. Os discípulos precisam entender e assumir isso enquanto Jesus está com eles, por isso “entrou no barco e seus discípulos o acompanharam” (Mt 8,23).

Hoje conosco não é diferente. Jesus nos convida a fazer a travessia. A travessia não é somente uma passagem geográfica. A travessia precisa ser completa: antropológica, social, religiosa, afetiva e intelectiva. Exige despojamento total para que possa haver engajamento e algum tipo de morte para que possa haver nascimento.

Fazer a travessia não é para sentir a adrenalina e alcançar sucesso. A outra margem não é um espaço de conquista e de apropriação para estender o próprio reinado, mas um espaço de entrega, de solidariedade, de colaboração, de realização do Reino de Deus.

Na pessoa de Jesus revela-se a nossa razão de existir: ser pessoas inteiras, integradas na “casa comum”, solidárias, doadas, relacionadas com todas as outras criaturas. O seguidor de Jesus precisa tomar atitudes semelhantes, fazendo constantes travessias, indo ao encontro de outros, relativizando os obstáculos e aprendendo com eles.

Palavra da Igreja

A Igreja no Brasil ao refletir sobre às juventudes disse que “a juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade”. Afirmou também que “a evangelização da juventude é uma prioridade”, e a Igreja quer ser “uma Igreja aberta ao novo, considerando o jovem como lugar teológico” Ou seja, como o lugar e espaço onde Deus se manifesta. A alegria e o espírito jovem nascem do encontro profundo com Jesus Cristo. O Encontro com Jesus é que anima e impulsiona o jovem para o exercício da cidadania e para o conhecimento e engajamento social da fé.

A cultura vocacional

Uma das travessias é passar de uma mentalidade individualista para uma cultura vocacional. A dimensão vocacional é constitutiva da formação integral dos jovens. Precisamos refletir sobre que espaços e experiências estamos oportunizando às juventudes. Que experiências estamos propondo e/ou deveríamos propor para ajudar os jovens a refletir sobre a vida, sobre a vocação. O itinerário vocacional é um processo que leva à descoberta de ser sujeito. O Papa João Paulo[1] referiu-se ao tema da cultura vocacional, salientando que esta constitui o fundamento da cultura da vida nova. O tema da cultura vocacional suscita muitas reflexões. Acreditamos que toda vocação é um chamado à vida. Escolher a vida é uma vocação e uma missão. Eis porque a cultura vocacional se traduz em uma proposta pastoral.

Na cultura vocacional faz-se necessário trabalhar três dimensões: a) antropológica, pois a vida é dom e projeto; b) educativa, onde se trabalha as atitudes vocacionai de fundo como a formação das consciências, a sensibilidade diante dos valores espirituais e morais, a promoção e a defesa dos ideais da fraternidade humana, do caráter do sagrado da vida humana, da solidariedade social e da ordem civil; c) a pastoral, a qual contribui na reflexão dos valores essenciais da vida evolvendo as famílias, os centros educativos, as paróquias.

A cultura vocacional deve perpassar o todo, pois todos somos vocacionados/as à vida. A vocação é iniciativa de Deus e resposta livre de cada pessoa. O acompanhamento ou orientação vocacional é o empenho de assegurar às pessoas, sobretudo aos jovens, ocasião e instrumentos para conduzir na procura da própria vocação e criar condições favoráveis a uma resposta positiva e generosa. É ajudar os indivíduos a amadurecerem na orientação para um projeto de vida, a descobrir o projeto de Deus a respeito de sua vida. “Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”.[2]

O Papa reconhece que para seguir neste caminho muitas vezes é preciso ir contra a corrente, enfrentando obstáculos, dificuldades que poderiam criar desânimo. Mas ele enfatiza que a verdadeira alegria dos chamados está em crer e experimentar que Deus é fiel. Disse ainda que “Com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes”.

Na mensagem para a JMJ de 2016, o Papa Francisco escreve: “E tu, caro jovem, cara jovem, já alguma vez sentiste pousar sobre ti este olhar de amor infinito que, para além de todos os teus pecados, limitações e fracassos, continua a confiar em ti e a olhar com esperança para a tua vida? Estás consciente do valor que tens diante de um Deus que, por amor, te deu tudo? Como nos ensina São Paulo, assim «Deus demonstra o seu amor para conosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós» (Rm 5, 8). Mas compreendemos verdadeiramente a força destas palavras?”[3]

Todo serviço de animação vocacional deve despertar nos jovens uma pergunta fundamental e uma resposta radical. Toda vocação autêntica nasce por causa de uma missão. Quem sente um chamado e acredita que ele vem de Deus, realiza um movimento de êxodo, de saída de si, de sua comodidade e rigidez para centrar a sua vida em Jesus Cristo.

Maria, a vocacionada de Nazaré

“Maria é a nosso modelo em todas as virtudes” (…)

No evangelho de Lucas (Lc 2,41-52) Maria é apresentada como a mãe que vive intensamente a vocação da maternidade com Jesus. A inquietação do amor e da fé impele a buscar, a sair de si, ir ao encontro de quem está ausente ou perdido. A sensibilidade do amor e da fé desacomoda, põe a caminho em direção à meta.

O evangelista Marcos, descreve Maria como mãe de um filho adulto e em missão (Mc 3,31-35). Marcos faz Maria ultrapassar o amor de mãe e tornar-se discípula de seu próprio Filho, num testemunho exemplar de fé e cumprimento com a Vontade de Deus.

Quando Deus ocupa o centro da nossa vida, as amarras do egoísmo e a centralidade intimista arrebentam-se. Ele nos descentraliza, tira-nos da nossa autorreferência. A experiência de amor com Deus ilumina nossa capacidade de amar, fortalece nossas disposições missionárias, renova as energias vitais e nos polariza no mistério do seu amor.

Bárbara Maix, a jovem vocacionada

Guardamos com carinho o exemplo de Bárbara Maix, Fundadora da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Aos 15 anos de idade, Bárbara ficou órfã de pai e mãe. Por ser menor de idade recebeu uma pensão do governo até completar 18 anos, como era costume.

E logo, as irmãs Maix, tiveram que deixar a casa em que moravam, pois seria ocupada por outros empregados do palácio de Schönbrunn, em Viena. Três delas conseguiram emprego, casaram e constituíram família. Bárbara e Maria enfrentam a vida, praticamente sozinhas. Foram em busca do Curso de Modista: isto é, corte e costura e trabalhos artesanais variados, que as habilitaram na profissão. Ao mesmo tempo alimentavam sua vida de oração e frequentavam a Igreja Nossa Senhora da Escada. Diante do altar da SS. Trindade e do Coração de Maria, Bárbara, contemplava o Mistério ali representado e sentia-se profundamente tocada pelas pregações dos Padres Redentoristas, sobre os graves problemas sociais que afligiam Viena.

Percebeu o contraste da riqueza do Império e da marginalização. Este cenário a impelia à reflexão e foi formando seu oração missionário. Herdou de seus pais o espírito de luta, de resistência aos contra valores e de amor ao próximo. Desde a tenra idade, aprendeu a partilhar do pouco que sustentava a família, fez a experiência da solidariedade com os pobres, com os que sofrem. Foi o amor sem limites pela vida que a tornou forte, corajosa, ousada, invencível.

Com 25 anos de idade, com a ajuda do Padre Pöckl, elaborou uma Constituição que apresentou ao Imperador Ferdinando e ao Bispo Vicente Milde. Pedia-lhes a permissão para abrir uma pensão, na qual, as jovens pudessem encontrar os “cuidados para o corpo e o espírito” e para fundar “uma comunidade religiosa de IRMÃS DO CORAÇÃO DE MARIA”, cuja finalidade seria também a educação de crianças e a solidariedade com os doentes.

Seu espírito empreendedor e missionário a levou a fazer uma grande travessia da Áustria para o Brasil. Já em terras brasileiras, Bárbara revela-se verdadeira profetisa que vê, sente e se coloca em movimento na defesa e promoção da vida. A grande travessia geográfica bem como todas as demais travessias realizadas em sua vida foram ancoradas na Vontade de Deus, pois sempre afirmou que “Mais do que tudo vale a Vontade de Deus”.

Nossa missão, como viveu Bárbara e primeiras companheiras, conserva o imperativo de, no Espírito, tornarmo-nos capazes de fecundar a história, libertá-la de todas as formas de deformação humana, “expulsar o demônio tentador[4]” e cuidar da “imagem divina deformada[5]” nos seres humanos.

A Justiça e a Profecia do Reino exigem de nós a mística do amor incondicional, relações humanizadas, serviço na gratuidade do coração, oração intensa, permanente intimidade com Deus, fecunda encarnação da Palavra.

O Espírito Santo nos “inflama e ilumina, faz somente Jesus reinar[6]” era convicção de Bárbara Maix. Com ela, queremos manter vivo o espírito missionário que inflamou a origem congregacional.

A realidade nua e crua da pós-modernidade com seu poder de exclusão e manipulação só a poderemos enfrentar com uma profunda experiência de vida com Deus. Bárbara deseja que nosso discipulado continue sendo expressão de “grandes virtudes, um coração magnânimo, grande fé, esperança e amor, todas as virtudes em altíssimo grau[7]”.

CELEBRAÇÃO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO

A celebração de abertura, 06 de novembro de 2015 e encerramento, 06 de novembro de 2016 se dará em todas as Comunidades e Obras ICM.

  • Dia 22 de outubro de 2015 – Celebração no Conselho Plenário da Congregação com apresentação do Barco, símbolo do Ano Vocacional.
  • Dia 07 de novembro de 2015 – Celebração Eucarística Solene do quinto ano de Beatificação da Bem-Aventurada Bárbara Maix e entronização do Barco, símbolo do Ano Vocacional – Santuário São Rafael, Porto alegre, RS.
  • Dia 08 de novembro de 2015 – Celebração Eucarística Solene do quinto ano de Beatificação da Bem-Aventurada Bárbara Maix e entrega do Barco que percorrerá todos os espaços de Missão ICM.

Encerramento: 05 e 06 de novembro de 2016

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

Certa vez, ao ver a multidão, Jesus teve compaixão e disse: “A colheita é grande, mas poucos são os operários! Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie operários para a sua colheita” (Mt 9,36-38).

Jesus, mestre divino, que chamastes apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, pelas nossas escolas e continuai a repetir o convite a muitos dos nossos jovens. Dai coragem às pessoas convidadas. Dai força para que vos sejam fieis na missão de apóstolos leigos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, para o bem do Povo de Deus e de toda a humanidade. Amém.

(Paulo VI)

[1] Mensagem para a 30ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações

[2] “As vocações, testemunho da verdade”

[3] Mensagem do Papa Francisco para Jornada Mundial da Juventude 2016

[4]MAIX, Bárbara. Petrópolis, 9 de maio de 1872

[5]JOÃO Paulo II, in Vita Consecrata, nº 75

[6] cf. MAIX, Bárbara, Junho de 1866

[7] MAIX, Bárbara, Petrópolis, 5 de setembro de 1871

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