CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
Sociedade
Educação e Caridade

A primeira semente de vida foi lançada no dia 08 de
maio de 1843, em solo vienense, congregando domésticas. Enquanto o grupo de
jovens realizava atividades manuais, Bárbara ia externando, às suas companheiras, o
desejo de fundar uma Congregação de Irmãs para dedicar-se à educação de meninas
e assistência às jovens desempregadas. Cultivando a fé cristã recebida da
família, freqüentava a Igreja Maria da Escada, Igreja dos pescadores,
localizada às margens do Rio Danúbio.
A situação sócio-político-cultural e religiosa de
Viena e de toda a Europa era de tensão e conflito pela difusão das idéias
liberais, provindas da Revolução Francesa. Em Viena, irrompe a revolução
josefinista contrária às Ordens Religiosas, que provoca a expulsão de Bárbara e
suas companheiras, as quais pretendiam estabelecer-se na América do Norte.
Enquanto aguardavam, no Porto de Hamburgo, um navio que as transportasse para
esse país, aportou um barco com destino ao Brasil. Entendeu Bárbara ser esta a
Vontade de Deus: decidiu partir. Era dia 15 de setembro de 1848.
Tendo presente este panorama, no qual foram
implantadas as raízes iniciais, a Congregação das Irmãs do Imaculado
Coração de Maria foi fundada, oficialmente, no Brasil em
08 de maio de 1849, na cidade do Rio de Janeiro/RJ.
No Brasil, Bárbara encontrou um contexto de
escravidão. Aos poucos se fazia também sentir a nova ordem mundial que ia se
estabelecendo: o capitalismo e o liberalismo, com o advento do operariado. A
indústria se acelerou e marcou a história como a era da industrialização.
Atualmente,
precisamos redescobrir a missão que Bárbara nos legou, cultivar uma postura de
fidelidade criativa ao Carisma fundacional – “Busca contínua da Vontade de
Deus, caracterizada pelo seguimento radical a Jesus Cristo, que veio para
cumprir os desígnios do Pai. Supõe uma atitude de total e permanente
disponibilidade aos apelos da Igreja em cada momento histórico”. (Constituições
1987)
A missão da Vida Consagrada nasce no coração da Trindade: no
amor do Pai que nos torna filhas, no amor de Jesus que nos torna Irmãs e no
Espírito Santo que nos convoca à comunhão de vida com Deus e à participação
fraterna na comunidade humana.
Olhando às Pessoas da Santíssima Trindade, especialmente
Jesus, o revelador do Projeto do Pai por meio do Espírito Santo, nossa missão é
o compromisso com a VIDA. Percebendo a realidade do povo, comprometemo-nos com
os pobres, buscando resgatar e defender a dignidade da pessoa, promovendo-a em
comunidade.



1873 – 1889: Madre Ma.
Ana (Anna Barth)
1889 – 1913: Madre
Margarida (Bárbara Landerl)
1913 – 1922: Madre Ma. Inês (Maria
da Conceição Werle Negrini)
1922 – 1941: Madre
Ma. Amélia (Rosa Bevilacqua)
1941 – 1959: Madre Ma. Imilda (
Adelaide Margarida Giordani)
1959 – 1973: Madre
Maria (Carmelinda Rossato)
1973 – 1982: Madre
Marta Maria ( Maria de Lourdes Braccini)
1982 – 1990: Irmã
Adylles Augusta Rossato
1990 – 1996: Irmã Maria Angelina
Enzweiler
1996 – 2002: Irmã
Maria Helenita Sperotto
2003 – 2008: Irmã
Maria Zení do Nascimento
*1898 – 1921: Madre
Clara (Maria Francisca Fialho)
*1922 – 1942: Madre
Ma. Ignácia (Maria Amélia Guimarães)
*1942 – 1957: Madre
Ma. Tarcísia (Gabriela Gomes Pereira)
* Sede Geral em São Cristóvão - Rio de
Janeiro/RJ

Natural de
Viena,
Áustria, filha de José Maix e Rosália Mauritz, nasceu no dia 27 de
junho de 1818.
Registros
históricos nos relatam que José Maix era funcionário público. Encontramos seu
pai, no ano de 1782, trabalhando como ajudante de cozinha junto ao príncipe Luis
José Lischtein. Pouco tempo depois, no ano de 1786, passa a ser funcionário no
Palácio de Schömbrun, na função de criado doméstico e depois camareiro do
imperador.
As mortes na família Maix eram freqüentes e a
doença, contínua. Bárbara, a caçula de 09 filhos do segundo matrimônio, teve
sua infância e adolescência marcadas por muitas privações o que lhe causou
debilidade orgânica.
Certamente,
era muito duro para o pai José Maix trabalhar no palácio onde se realizavam
muitas festas, com requintes e luxo, e ver os próprios filhos morrerem, um após
outro, por não conseguir vencer, com o fruto de seu trabalho, a fome e a
doença. Morava na casa número um (1) dos empregados, ao lado do palácio.
Neste
ambiente de contrastes entre luxo e abundância do palácio com a pobreza e a dor
na família, a personalidade de Bárbara foi se formando. Dos pais herda a fé
cristã, o espírito de luta e resistência, persistente teimosia pela causa da
vida, a coragem de enfrentar o império do luxo com súplicas de socorro para as
carências da família. É o amor sem limites pela vida que a torna forte,
destemida, cheia de vigor. Aprende na experiência sofrida do dia-a-dia, a não
fraquejar diante das dificuldades por maiores que sejam.
Desde
tenra idade, manifesta espírito missionário e profético diante dos desafios da
realidade:
Em tempo
de guerra, de proibição do Estado em fundar Congregações Religiosas, reúne
jovens e, com elas, inicia o Projeto das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.
Numa
situação social de desemprego em que o maior número de nascimentos eram de mães
solteiras, abre um pensionato para abrigar empregadas domésticas, visando à
orientação e à assistência, previnindo-as da prostituição e demais
desigualdades sociais.
Perseguida
pelo contexto político-econômico de Viena e na necessidade de sair do país,
planeja ir à América do Norte. Ao embarcar com 21 companheiras, quis as
circunstâncias que viesse ao Brasil, sem conhecê-lo cultural e geograficamente.
Conforme escreve uma de suas companheiras: “Chegamos ao Rio de Janeiro, em novembro
(09/11/1848), sem dinheiro, sem conhecimento de ninguém, sem saber a língua,
com muita fome, mas cheias de confiança em Deus e em Nossa Senhora.” (Me.
Isabel)
Numa época
em que a mulher não tinha participação social, acesso ao saber e à Escola, ela
se fez educadora e permitiu o estudo às meninas, em especial as órfãs e pobres.
Atenta à
realidade, percebe outras necessidades da época, assumindo Asilos, Pensionatos.
Por ocasião das epidemias: cólera e febre amarela e da Guerra do Paraguai,
assume atividades em enfermarias e Hospitais.
Diante de
uma sociedade que mantém o regime de escravidão, Bárbara não aceita pessoas
trabalharem em condição de escravas junto às Irmãs. Todas realizam os mesmos
serviços e têm os mesmos direitos numa relação de igualdade e partilha.
Num
contexto em que as Ordens Religiosas eram de estilo puramente contemplativo,
Bárbara apresenta uma inovação: uma forma de Vida Consagrada projetada para o
trabalho leigo e social. Este modelo de Vida Religiosa era novo tanto para a
Igreja como para o Governo. Funda a primeira Congregação feminina de vida ativa
no Brasil.
Com
perspicaz inteligência, abre novos caminhos, supera obstáculos e posiciona-se
com firmeza diante da orfandade, da opressão e do autoritarismo da época.
Bárbara,
mulher de fé, discerne a realidade, tomando iniciativas de não mais realizar
tarefas quando estas não ajudam no modo de vida exigido pelo Projeto
Congregacional. “... não creio que haja autoridade na terra que me possa
obrigar a fazer coisa alguma contra minha consciência. Não somos escravas,
Senhor Administrador. Somos livres pela misericórdia de Deus.” (B.Maix)
A vida de
Bárbara Maix foi duramente marcada pelo sofrimento e dificuldades de toda
sorte: econômica, espiritual, vida comunitária e realização da missão.
Faleceu no
dia 17 de março de 1873, deixando como herança às suas Irmãs o Perdão.
Algumas frases
de Bárbara Maix:
“Dizei muitas vezes: Meu Jesus, aqui estou. Fazei de
mim o que vos aprouver! outra coisa eu não quero a não ser cumprir a vossa Santíssima
Vontade!”
(03.04.1860)
“Deus não permitirá que sejamos iludidas em nossa
confiança“
(junho-1866)
“Assim como o corpo tão somente
recebe o seu vigor, porte e beleza quando todos os membros prestam o seu
auxilio mútuo, assim uma comunidade adquire a sua beleza, vigor e poder,
somente quando o amor fraterno impulsiona os membros a doar-se mutuamente.”
(14.10.1869)
“Depois de horas sombrias,
vêm horas alegres“
(14.09.1871)
“A SS. Trindade iniciou a obra da fundação
e há de completá-la. E porque é de Deus e não minha, não importa nada se ele
deixa que tudo seja, aparentemente, aniquilado, porque em sua onipotência,com
um só aceno, a reerguerá.
(19.02.1872)