O DESPERTAR VOCACIONAL:
Um sonho para a vida

Na comunidade eclesial, na convivência com as Irmãs, na escola ou em casa… um dia, a menina/guria começa a pensar: “por que não ser Irmã?”. Tocada pelo chamado de Deus, inicia, então, um primeiro contato com as Irmãs do Imaculado Coração de Maria. É a hora de construir um sonho de vida através da oração, da vida em família e em comunidade, do serviço aos irmãos.

Quem são e o que pensam as adolescentes e jovens que começam a considerar a possibilidade de tornar-se uma religiosa?

Acompanhamento externo – os primeiros contatos

Irmã Benta Libanio é a formadora da Província Cristo Libertador  (presença ICM para o Norte e Nordeste brasileiro) e explica que, na maioria dos casos, as jovens já estão inseridas em uma realidade de comunidade, envoltas em questões existenciais típicas do despertar vocacional: “são jovens que buscam o despertar de sua vocação. A proximidade com as Irmãs que ali estão as leva a perceber o testemunho da alegria, da acolhida, da doação e da opção de vida” , explica.

Este primeiro tempo de conversa é chamado de ‘acompanhamento externo’; são os primeiros passos do “namoro” com o jeito de ser da vida religiosa consagrada. Com carinho e atenção, as conversas entre Irmã e a jovem vão dirimindo as primeiras e grandes questões: “Qual o caminho para ser irmã?” ; “ Como se realiza a missão?”; “Como fica a relação com a família?…”. Todas as questões são respondidas com a calma e a fundamentação que  o “encantar-se” com o jeito ICM requer.

O acompanhamento externo requer estudo e dedicação. No contexto do  mundo atual, são muitas as possibilidades de realização pessoal oferecidas através do ‘ter’ e do ‘poder’. A Vida Religiosa oferece a realização pessoal de maneira diferente: a doação e o serviço generoso aos irmãos, em suma, ser feliz, fazendo os outros felizes, especialmente os que mais precisam de atenção.

“Primeiramente a jovem é acolhida para a escuta de suas motivações. Depois, o contato através dos encontros, a conversa com a família e uma proximidade com a comunidade para estimular a participação cristã, caso a jovem não esteja inserida. Hoje, os meios de comunicação e as redes sociais facilitam bastante o contato com as jovens. Todo o nosso material vai sendo repassado para que a jovem tenha um bom acompanhamento”, conta Irmã Benta.

Após esse primeiro tempo, a jovem se coloca em caminhada: “O processo vai sendo feito e a jovem tem a oportunidade de conhecer a espiritualidade, o carisma e a missão da Congregação”.
 

Serviço de Animação Vocacional – Um coração que se abre ao chamado de Deus

Despertar, discernir acompanhar e cultivar as vocações: este é o caminho que a Congregação segue na orientação vocacional às jovens que optam por continuar um aprofundamento vocacional na Congregação. É o mesmo itinerário seguido pela Igreja. Este ainda é um tempo de dúvidas e incertezas, porém, os propósitos de vida serão clareados em cada passo, encontro e conversa que serão feitas.

Irmã Gladis Enweiller é animadora vocacional na Província de Porto Alegre e destaca que, na sequência desses acontecimentos, está a construção do projeto pessoal de vida: “a etapa do discernimento e cultivo é realizada por meio da construção do projeto pessoal de vida, acompanhado de forma personalizada através da partilha de vida, visita às famílias, participação nos encontros vocacionais e visita a uma comunidade da Congregação”.

Neste tempo, o sonho da jovem vai sendo construído, especialmente, o do serviço aos irmãos necessitados. A vocação é a pedra fundamental deste tempo de construção de horizontes: “Este chamado de Deus precisa ser cultivado diariamente no coração, principalmente por meio da oração e do cultivo da espiritualidade. A prática da solidariedade, a doação em favor dos mais empobrecidos(as) é também um dos aspectos importantes para ser Irmã do Imaculado Coração de Maria. Outro elemento significativo é a convivência em comunidade, a vivência da fraternidade, que precisa ser exercitada desde o início da formação. Esses três pilares: espiritualidade, solidariedade e vida comunitária são bases essenciais que sustentam a Vida Religiosa Consagrada”, conta Irmã Gladis.

Ao findar-se este “tempo de namoro” e de primeiros contatos do despertar vocacional é o tempo da decisão. Prosseguir ou voltar? O que realmente faz bater o coração? Há jovens que decidem aprofundar o chamado de Deus e prosseguem a caminhada. Há, também, quem não se identifique como uma futura religiosa, o que é acolhido e respeitado pela Congregação. A formação, neste processo de tomada de consciência, imprimirá marcas profundas na vivência cristã de quem buscará novos horizontes que não o de ser Irmã, conforme descreve Irmã Gladis:

“Com certeza, a formação permanece. As jovens podem viver e expandir o Carisma ICM como leigas engajadas na comunidade eclesial, como catequistas, atuando nas pastorais sociais, na liturgia, em grupos de Leitura Orante e outros. Também na família, vivendo os valores cristãos e educando seus filhos(as) conforme esses valores. Além disso, também no mundo profissional podem testemunhar os valores cristãos e, na sociedade, defendendo e promovendo a vida, lutando pelos direitos, pela dignidade de vida e justiça”, disse.

Nossas entrevistadas contam sua história. Como foi seu despertar vocacional?

Irmã Benta Libanio:

Irmã Benta juntamente durante trabalho com grupos de mulheres

“A chegada das Irmãs na pequena cidade em Aragominas, no Tocantins, me chamava muito atenção: o jeito de ser das Irmãs, sua presença no meio do povo, a companhia que eu fazia, quando uma delas ficava só, me fizeram ter uma aproximação maior na vida da comunidade, no grupo jovem, na catequese, entre outros espaços. Ir. Dema Maria Sulzbach era a promotora vocacional na Diocese de Tocantinópolis. Numa bela noite, após a missa do domingo, Irmã Dema fez um convite para os encontros vocacionais e, na sua fala, expressou: ‘hoje estive em Araguaína participando do encontro vocacional. Eram mais de 70 jovens, mas não havia ninguém da cidade de Aragominas. Tenho certeza de que, na próxima vez,  eu não irei sozinha’. Estas palavras deram-me uma inquietação no coração. Logo fui conversar com a Irmã, dizendo-lhe que eu iria no próximo encontro. Assim iniciei um processo de acompanhamento. Hoje sou muito feliz nesta Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria”

Irmã Gladis Enweiller:

“O meu despertar vocacional foi a partir de uma visita que as Irmãs do Imaculado Coração de Maria realizaram na Escola em que eu estudava e desenvolveram a temática das vocações. Isto no ano de 1987 época em que eu frequentava a 4ª série do Ensino Fundamental de uma turma multiseriada, no interior de Ivoti – RS. O motivo da visita à Escola era a Celebração dos 25 anos de Vida Religiosa da Irmã Cecília Walesca Knorst, atual Coordenadora Provincial da Província de Porto Alegre. Participando dessa Celebração, as rosas levadas ao altar no momento do ofertório me tocaram profundamente.  Para mim, elas simbolizaram o testemunho de doação e de alegria em Ser Irmã Consagrada. A partir de então, comecei a me corresponder com as Irmãs e conhecer mais como elas viviam, através de visitas e participação de encontros vocacionais, no Colégio Glória, em POA. Em março de 1992, iniciei minha formação para a Vida Religiosa, também no Colégio Glória e, hoje, já tenho 14 anos de consagração. Alegrias, dúvidas e desafios fizeram e fazem parte da minha vida de Irmã do Imaculado Coração de Maria, mas o fundamento que me sustenta é o chamado de Deus, a opção em seguir Jesus Cristo e o serviço aos irmãos e irmãs.”