ARTIGO: Valsando no Coração do Universo: Cristo Ressuscitou, Aleluia! Amém!

 
 
 

Valsando no Coração do Universo:
Cristo Ressuscitou, Aleluia! Amém!

Estamos iniciando o mês de abril, onde se concentra o evento: CRUZ-RESSURREÇÃO do Senhor. Após a experiência quaresmática de penitência e conversão, como em uma partitura escrita para piano, seguimos os passos que nos conduziram no adentrar-se ao Mistério Pascal de Jesus Cristo, ao som da misericórdia do Pai. Somos a pauta onde foram escritas as notas musicais do Projeto da Trindade, nas linhas de nosso cérebro e no espaço de nosso coração.

O Tríduo nos insere na dinâmica Pascal do Senhor, que como Sol desceu ao centro da terra e da humanidade, igual “um cordeiro conduzido ao matadouro” (Is 53,7), não tinha brilho. Sua morte na Cruz foi impactante para seus discípulos, na aprendizagem da partitura da revelação e no discipulado do Reino, “Pois ainda não tinham compreendido que conforme a Escritura, ele devia ressuscitar dos mortos”. (Jo 20,9)

O universo silenciou, a criação inclinou-se guardando em si a sinfonia inacabada. No silêncio abissal de Deus, a noite abriu suas janelas e com mantos cobriu a vida em sua gestação sempre crescente, anunciando a “Vigília Mãe de todas as vigílias da Igreja”. (S. Agostinho). Quando a madrugada estendeu seus raios de luz, a aurora indicou um Novo Amanhecer, o Sol brilhou no centro da partitura, elevando sua Comunidade discipular La onde o som torna-se agudo, e o Divino Espírito inspira cada pessoa a ser Sim para outra, no Dó que chega à apoteose da comunhão trinitária, anunciando um Tempo Novo! E a Comunidade em coro canta: Cristo Ressuscitou Aleluia! Como maestro em regência, o Ressuscitado abre as mãos, indicando o início da ação da Ressurreição no palco da História.

Cristo Ressuscitou! Exultante canta a Igreja! Digamos com Nazianzeno: “Páscoa do Senhor, Páscoa; digo isso pela terceira vez em honra da Trindade; Páscoa. É, para nós, a festa das festas, a solenidade das solenidades, que é superior a todas as demais, não só às festas humanas e terrenas, mas também às festas do próprio Cristo que se celebram em sua honra, assim como o sol supera a todas as estrelas” (Gregório Nazianzeno, Oração 45, 2).

Caprichando em cada nota, o Ressuscitado valseia em sua melodia graciosa e sinfônica, elegantemente deslizando passo a passo nos salões dos pobres, do povo em situação de rua, das famílias enlutadas, consequências da COVID 19, das mulheres violentadas em seus direitos, das juventudes, adolescentes e crianças mais vulneráveis, e na tapeçaria do meio ambiente. Nas ondulações graciosas das notas da solidariedade, da luz que serpenteia como uma fita pelo céu, iluminando os corações que acolhem a Novidade, dos lábios que se abrem, para deixar passar o som da proclamação Pascal, que a garganta solta, mostrando que a morte não decide sobre a Vida. A Ressurreição é o grito definitivo de Deus Pai sobre seu Filho Único, em sua fidelidade de geração em geração, no dinamismo do Espírito Santo. É a força que se renova nos corações que sonham com um mundo possível e a sustentabilidade das gerações. Aleluia, Cristo Vive!!!

 

Irmã Maria Freire da Silva.
Diretora Geral da Congregação da
Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.