Celebrar é a arte de viver de novo!

 
 
 

“A SS Trindade iniciou a Obra da Fundação e há de completá-la” .
(Bárbara Maix)

Estamos iniciando o mês de maio dedicado a Maria, onde podemos celebrar, grandes festas na vida da Igreja e da nossa Congregação. É sabido e experimentado por todas/os a situação de calamidade de pandemia que vive o mundo. Celebrar não é ser indiferente à dor do sofrimento humano ou do planeta, mas, é sobretudo dizer que a morte não tem a última palavra e nem ação sobre nós. Celebrar é imbuir-se da alegria, do entusiasmo que nos torna fortes discípulas missionárias.

Ainda vivendo o dinamismo da Ressurreição de Jesus Cristo, nós, Irmãs do Imaculado Coração de Maria, nos revestimos de esperança e alegria para celebrarmos os 172 anos de Fundação da Congregação, no dia 08 de maio. Celebrar essa data nos leva a fazer memória da frase profunda e bela de nossa Fundadora, a Bem Aventurada Bárbara Maix: “A SS Trindade iniciou a Obra da Fundação e há de completá-la”. A celebração nos insere na dinâmica da escuta da Palavra de Deus, da inclinação do ouvido, do movimento da mente, da abertura do coração para acolher, discernir a “Vontade de Deus” a nosso respeito. Iluminada pelo Sol da SS. Trindade, Bárbara Maix foi ágil, determinada, audaciosa no sonhar; fiel no executar os passos no itinerário orientado pela Divina Ruah, tornando-se reflexo do amor trinitário de Deus para os pobres e para todos que compunham a arte e a beleza valsante de seu Projeto.

Fascinada pelo olhar sedutor e comprometedor de Jesus Cristo, assume a missão da defesa integral da vida humana através dos sujeitos históricos que Deus Trindade lhe confiou. A beleza está nos seus olhos, mas a beleza é concreta, está no espaço, na casa, no rosto das crianças desvalidas. E, sobretudo, a beleza é o próprio Cristo na Cruz e na Ressurreição.

A Festa da Congregação se avizinha da grande Celebração da Festa de Pentecostes que conclui o período pascal abrindo ala para o tempo comum. Que maravilha aos nossos olhos! Que belo poder, como em um concerto para violino, com as notas de nosso Carisma Espiritualidade e Missão e como músicos ao compor suas letras, sentir cada sonoridade, medir cada compasso, na cadência da diversidade das culturas, das realidades onde estamos em nossos espaços de missão no Brasil e no exterior. A beleza consiste “na unidade da diversidade”, importante no bailar no chão de um novo tempo, na força renovadora do Espírito Santo.

Pentecostes é a potencialidade da Comunidade que acolhe e desenvolve o vigor derramado pelo dinamismo do Espírito Santo impulsionando a Comunidade a sair “às pressas onde a vida clama” e afirmar que Cristo Ressuscitou, está Vivo no meio de nós, que é fundamental uma “Igreja em saída”, é relevante uma Congregação missionária. Celebrar a Festa de Pentecostes é tornar-se espaço da ação da Ruah Santa, é permitir-se esvaziar para acolher com liberdade o dileto (Espírito), dançante em nossa vida, o esplendor da verdade. É ter o espaço alargado para o Espírito Santo revestido com as cores multiculturais, valsar na praça de nossa história do nosso compromisso com o Reino de Deus e suas consequências. Basílio de Cesaréia Séc. IV, a partir da fórmula de Mt 28, 19 afirmara que a comunicação dos Três no batismo manifesta o Espírito Santo na união com o Pai e o Filho na mesma dignidade de louvor. A beleza consiste “na unidade da diversidade”.

A Festa Congregacional ainda se aproxima da Solenidade da Santíssima Trindade, Deus amor em sua comunhão e unidade, A Trindade é a Fonte de sua origem e modelo da missão, onde Bárbara Maix encontrou morada. A celebração da Solenidade da Trindade requer de nós compreensão e adentramento no Mistério trinitário de Deus deixando-nos mover pelo impulso do Espírito na configuração com a Pessoa de Jesus Cristo no aconchego de Deus Pai e Mãe no contínuo louvor, honra e glória.

A Trindade é um fluxo de amor, que emana do Pai, é recebido e novamente emanado do Filho, e recebido pelo Espírito Santo. Há uma comunhão relacional amorosa das pessoas divinas, onde o Pai é o eterno amante, o Filho o eterno amado e o Espírito Santo o amor eterno. Ricardo de S. Victor em seu tratado De Trinitate, havia afirmado que o amor é a fonte de toda forma de agir, e que o amor exige sempre duas pessoas, do contrário não há comunicação, não há amor autêntico, e não há perfeição, bondade sem a terceira pessoa. Participar dessa realidade é ser presença solidária, místico-profética e ousada em buscar novas alternativas que incluam, que respeite as diferenças, a linguagem, a vida e experiências das culturas.

Celebrar, louvar e agradecer a Trindade Santa nos põe a dançar uma valsa inacabada, onde entramos em relação com o divino e o reconhecemos como nosso Criador, ao mesmo tempo que permitimos a identidade do outro aparecer. A Trindade aparece em sua revelação em seu dinamismo valsante nos propondo um ideal ético-social para uma sociedade possível e sustentável. O centro de reconfguração mistagógica é a encarnação do Verbo, que é fundamental na recapitulação tanto do humano como de todo universo. Tudo é belamente arquitetado. Digamos:

Santo, Santo, Santo é o Senhor, Pai e Filho e Espírito Santo
A Glória, a honra e o Poder. Amém!

 

Irmã Maria Freire da Silva.
Diretora Geral da Congregação da
Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.