Encontro de Saúde Comunitária

 
 
 

Foi realizado na Sede da SEC – Sociedade Educação e Caridade, Instituto Coração de Maria, Riachuelo, nº 508, Porto Alegre, RS, dias 08 e 09 de setembro de 2009, o Encontro de Irmãs que atuam, desenvolvem e se envolvem na Pastoral da Saúde Comunitária.

O objetivo do encontro visa “intensificar o cultivo de hábitos de vida saudável, alimentação alternativa, a prática de exercícios físicos e lazer.”

Tem por Lema: “O meu desejo é a vida do meu povo.” (Est. 7,3)

Ficamos felizes pela participação, pois contamos com 47 pessoas inscritas.

A espiritualidade inicial fez referência ao dom da vida e aos dons da terra. Reunindo essas energias, somos capazes de realizar grandes transformações.

Leia o texto que segue. A seguir passou-se a fazer um pão dando sentido vivencial a cada elemento que compõe o pão, e, como nós o podemos ser esses elementos de unidade em nossa Pastoral e Comunidades de atuação.

A cozinha é um lugar de transformações.

Ali nada tem a permissão de permanecer o mesmo. O fogo e os seus aliados estão em ação. As coisas chegam cruas, como a natureza as produziu. E elas saem diferentes, de acordo com a exigência do prazer. O duro deve ficar macio. Cheiros e gostos que dormiam dentro são forçados a sair para fora. Cozinhar é dar o beijo mágico que acorda os prazeres desconhecidos. Alquimia, metamorfose: cozinhar é juntar o que a natureza separou. O espaço é abolido. Sal, alho, pimenta, açúcar, cravo, orégano, cominho, canela, salsa, tarragão, páprica, manjericão, urucum, hortelã, alecrim: todos eles são convidados, das terras distantes onde crescem, a se juntar no festival da cozinha. O doce, o azedo, o amargo e o salgado são forçados a se unir em combinações inexistentes. Tudo é uma criação nova, tudo é feito de novo.

O fermento, este silencioso aliado do fogo, faz o seu trabalho sem barulho. (…) Aparecem novos gostos e novos cheiros. E também novas cores e novas formas. Cozinhar é uma arte plástica. Aquilo que é bom para ser comido também deve ser bom para ser visto. Os olhos ganham uma nova potência. Ligados à boca e ao nariz, tornam-se capazes de sentir o gosto. Os vermelhos, os verdes, os amarelos, os marrons, os brancos, os roxos são organizados em padrões caleidoscópicos. E a água, o óleo e o leite celebram alianças com o fogo. (…) A cozinha conhece a teologia agostiniana: ali a ordem do “uti” nunca se esquece de que ela só existe para produzir o “frui”:

O propósito do trabalho é a alegria: os seis dias da criação se realizam quando o paraíso é oferecido como uma dádiva para o deleite de Deus e dos homens.

Mas a cozinha, sozinha, é morta. Ela necessita de uma alma: o/a cozinheiro/a. O cozinheiro sabe que temos fome. Ele sabe que somos o que comemos. Também os animais sabem disso. Mas eles não sabem cozinhar. Desejam pouca coisa: contentam-se com o cru. Eles são seres da natureza. O/a cozinheiro/a sabe que nossa fome é infinita. A natureza não nos basta. Nossa fome não é coisa do corpo; é coisa da alma. O tentador sugere que Jesus deveria resolver seu problema biológico. Que ele fosse prático… Depois de quarenta dias de jejum o corpo precisa de comida. Jesus responde que sua fome nenhum pão poderia satisfazer.

Ele tinha fome de um pão ausente do qual a única evidência que possuía era uma Palavra.

Rubem Alves

 

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