“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7)

 
 
 

É com esta inspiração bíblica, da bem-aventurança da misericórdia, que o Papa Francisco, convida todos os povos, de modo particular, os cristãos, para viver com intensidade o ANO JUBILAR da MISERICÓRDIA. Assim ele expressa: “há momentos em que somos chamados, de maneira mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai” (MP, 3). A atitude de misericórdia é um dos sinais proféticos que identificam as pessoas que, na vida, buscam seguir Jesus Cristo e trabalham pelo Reino de Deus. É um revestir-se do modo de ser e de agir de Jesus, como mostra o Evangelho, partilhando da história concreta do povo sofrido.

O Ano Santo da Misericórdia teve sua abertura no dia 08 de dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição e terá seu término na solenidade litúrgica de Cristo Rei, em 20 de novembro de 1016. O Papa afirma escolher esta data porque é rica de significados para a Igreja. É uma data que marca a conclusão do cinquentenário do Concílio Vaticano II, evento de grande relevância para a renovação eclesial. “A Igreja sente necessidade de manter vivo aquele acontecimento. Um percurso novo da sua história. Uma nova etapa na evangelização. Um novo caminho que se abria. A Igreja sentia a responsabilidade de ser, no mundo, o sinal vivo do amor do Pai” (MP, 4).

O ícone escolhido é o da “Porta” como sinal de acolhida a todas as pessoas que desejam fazer a experiência da fé e do amor de Deus, que é rico em misericórdia. O convite é que nos Terceiro Domingo do Advento seja aberta, em todas as Igrejas, de forma simbólica e significativa, a “Porta da Igreja” como itinerário de renovação e mudança de vida. Seja esta o espaço indicativo da acolhida maternal da Igreja, a porta que é o próprio Cristo: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem” (Jo 10, 9). Porta onde todas as pessoas sejam permeadas da misericórdia do Senhor, para ir ao encontro do outro, levando-lhe a bondade e a ternura de Deus.

A inspiração do ano Santo da Misericórdia é extremamente bíblica. A palavra hebraica mais utilizada no Antigo Testamento para significar misericórdia é Hesed e normalmente é traduzida por “amor”, mas também, pode ser traduzida por “bondade”, “benevolência” ou “misericórdia”. Hesed é frequentemente associado à Aliança (Ex 20,6; 34,6). A própria aliança é chamada hesed (Is 55,3). O hesed de Iahweh dura para sempre (Is 54,8; 55,3; Jr 33,11; Mq 7,20). O Hesed de Deus chegou a todas as famílias da terra através de um homem (Gn 12-3). Na tradução Grega dos LXX, utilizou-se a palavra Éleos.  Hesed e Éleos podem ser traduzidos por: amor, bondade, perdão, clemência, benevolência, paciência, compaixão, ternura, piedade, esmola e hospitalidade, mas o termo mais frequente parece ser misericórdia. Outra expressão ligada ao conceito de misericórdia, mas que se traduz por ‘compaixão’, é o termo Raamim, que significa apego instintivo de um ser a outro, sentimento que tem a sua sede no seio materno  ou nas entranhas. Daí deriva a comparação de Deus como Pai e Mãe que ama seus filhos e filhas com ternura e compaixão.

Do latim, a palavra misericórdia é junção de miseratio (compaixão) mais cordis (coração). Entendido literalmente como “coração compadecido”. Compadecer-se pelo outro é entrar no coração da miséria. É um sentir-se com. A misericórdia de Deus atinge o seu cume em Jesus Cristo que a manifesta na relação com todos os homens e mulheres, especialmente os mais sofridos. Neste sentido, todas as vezes que se acolhe o outro com o coração misericordioso, acolhe-se o próprio Cristo.

Para a Bem Aventurada Bárbara Maix, a misericórdia de Deus é o que encoraja cada Irmã a viver com docilidade no Espírito de Deus, comunhão fraterna ao modo dos Cristãos dos Primeiros Séculos, e vivência da misericórdia como uma vida sempre renovada: Consolo-me em poder perdoar. Agradarei mais a Deus. Espero em sua divina misericórdia que, com o Ano Bom, minhas filhas ressuscitem, alegrando meu pobre coração e a Deus. (Carta, Dezembro de 1872). Ela exorta cada Irmã para viver a misericórdia no exercício cotidiano do perdão misericordioso: Suplicai a Jesus, humildemente, que tenha misericórdia de vós e expulse o demônio tentador do vosso coração (Carta de Maio de 9 de maio de 1872). E convida a louvar a Deus que é misericórdia: Louvai a Deus e a sua misericórdia! (Carta de setembro de 1871).

Façamos deste Ano da Misericórdia um itinerário de renovação da fé cristã, do compromisso solidário e misericordioso para com os pobres, do empenho por uma Igreja em saída, que vai ao encontro do outro, uma Igreja de comunhão e participação, uma Igreja misericordiosa e missionária.

Irmã Maria Aparecida Barboza

Setor de Animação Missionária

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