Irmã Miria Kolling: Mais notícias de Moçambique

 
 
 

 “Cada dia é uma festa… uma surpresa… uma novidade…” – me disse uma das nossas jovens, feliz por estarem as quatro Noviças aprendendo a tocar violão. Também para mim é motivo de alegria!… Um trabalho que me dá prazer e me deixa feliz, pela musicalidade que nasce no coração, vibra no corpo e dança nos pés africanos… Mais do que o violão, é o tambor o  instrumento típico; por isso, estamos curtindo a novidade desde março, com visíveis progressos… A convivência com a comunidade do Noviciado está sendo uma bênção.

O mês de abril já vai longe, marcado por ricas experiências, das quais destaco:

1º) Um passeio à histórica Ilha de Inhaca, no dia 3, foi aventura inesquecível – após duas horas de barco pela costa moçambicana, singrando o Oceano Índico, avistamos a ilha, mas não pudemos desembarcar, pois a maré estava baixa. Transferidos para barcos pequenos, nem estes chegaram à margem, restando-nos andar a pé pelas águas, carregando nossos pertences… Consegui registrar a peripécia e me diverti… e fiquei deslumbrada com os encantos da ilha e a hospitalidade dos nativos que a habitam.
 

2º) O Dia da Mulher Moçambicana foi solenemente comemorado no dia 7 de abril, na Praça dos Heróis, onde pela manhã se reuniram grupos étnicos diversos, desde crianças e jovens das escolas, a representantes adultos, sobretudo mulheres, que com suas capulanas coloridas, enfeitaram o dia, cantando e dançando ao ritmo dos tambores, linguagem que até os bebês às costas das “mamás” já entendem e acompanham. Digno de atenção foi o grande muro onde o povo se reuniu, pintado com cenas históricas por  Malangatana, célebre artista moçambicano. Um dia que merece mais do que festa, pois são as mulheres que mais trabalham na família… andam quilômetros para buscar água, roçam  a “machamba” (roça), cuidam dos filhos, carregam lenha e latas na cabeça, mãos sempre ocupadas, são incríveis…

3º) Conhecer o Lar São Roque, no distrito de Matutuine, foi uma experiência fantástica. Missão antiga portuguesa, que fica a 85 km de Maputo, percorrendo estrada de chão, tem muita história pra contar… Atualmente é dirigida pelas Irmãzinhas da Imaculada, e a seu convite, passei dois dias com as 50 crianças, muitas delas órfãs de pais vivos… É o seu lar, sua família, onde estudam, trabalham, rezam, vivem, convivem e são felizes. Anexa à Missão há uma escola, também freqüentada por crianças do distrito, algumas das quais percorrem 15 km a pé, em jejum. Inimaginável! De doer o coração!…

4º) Oportunidade rara foi conhecer o Kruger National Park (Kruger foi seu fundador), na África do Sul, que faz divisa com Moçambique, e são apenas 100 km de Maputo. Fomos com um padre brasileiro amigo, voltando no mesmo dia. É um dos maiores parques do mundo, com cerca de 400 km de extensão. Os animais passeiam e desfilam  livremente no espaço que lhes pertence, seu “habitat” natural, enquanto que os humanos só podem transitar em carros fechados, deixando-se surpreender a todo momento por elefantes, girafas, zebras, gazelas, macacos, búfalos, leões e outros sem conta… Foi uma aventura e tanto!

 

5º) Via-Sacra dos Religiosos – Fiquei impressionada com o grande número de sacerdotes e religiosos que aqui vivem e trabalham como missionários, também com muitas casas de formação. Na tarde do domingo anterior a Ramos nos encontramos – cerca de 300 religiosos –, para a Via-Sacra, o que já é tradição. Após a XIV estação houve Confissões, com os padres espalhados nos jardins, embaixo das árvores… Impossível não se comover… mais impossível não descobrir pecados novos, tocados pela graça, diante dessa sofrida realidade!… Renovados pelo Sacramento, celebramos a XV estação, antecipando a páscoa no coração.

6º) Dia 25, deixo Maputo e vôo para o norte, província de Nampula, onde passarei um mês em diversas comunidades: Nampula, Chalaua e Micane, na certeza de que o Senhor me reserva novas surpresas, porque em seu amor Ele sempre nos precede  nas Galileias da vida…

Após esta singular caminhada quaresmal, intensamente vivida no corpo e na alma, experimentamos agora o indescritível júbilo pascal, também vivido de forma única, e que explodiu ontem, na VIGÍLIA PASCAL, abrindo-nos o céu:  no canto e na dança contagiantes, ao som e ao ritmo dos tambores… É tempo de ressurgir, de cantar aleluias e anunciar a todos que  a VIDA triunfou sobre a morte: Cristo ressuscitou! No som da África, meu abraço pascal a todos e cada um dos queridos amigos. Maputo, domingo da Ressurreição do Senhor!

Ir. Miria T. Kolling

Nossa queria Irmã Miria Kolling passará três meses na África. Mais fotos deste tempo novo estão postadas em seu site: www.irmamiria.com.br

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