Irmã Miria Kolling partilha primeiras experiências em Moçambique, na África

 
 
 
África  –  De um sonho a plena realização: É assim que Irmã Miria Kolling define o primeiro mês de sua experiência em terras africanas, precisamente em Moçambique, junto às Comunidades das Irmãs do Imaculado Coração de Maria presentes naquele país. 

Em relato enviado ao nosso site, ela partilha a vida/missão do primeiro mês, de um total de três em que ficará em solo africano. Irmã Miria Kolling descreve o que tem encantado seu coração, suas primeiras impressões sobre o povo, a forma de vivência da palavra de Deus, da vida comunitária.

Como não poderia ser diferente, Irmã Miria fala da música sentida e cantada pelo povo: “Uma das grandes razões desta minha experiência foi ter este contato: ver, ouvir e sentir a música africana, sobretudo nas liturgias, o que está superando de longe a minha expectativa… Não  há como explicar, e mesmo participando, continua o mistério de tal canto e encanto, que brota do mais íntimo do seu coração e se faz clamor, alegria e ação de graças, carregados de vida” enfatiza.

Confira a mensagem completa:

 

Em terras moçambicanas…

 

Já faz um mês que me encontro em solo africano, pisando terras moçambicanas, experiência há muito desejada pelo meu coração, sonho por mim há tempo acalentado e, que por graça de Deus, se concretizou no início de março deste ano.  As Irmãs do Imaculado Coração de Maria tem diversas comunidades em Moçambique, não só na capital, Maputo, como também no interior, o que favorece um melhor conhecimento da realidade, bastante diversa no interior e na capital, no norte e no sul.

Das dez Províncias que formam o país, já pude conhecer três, mesmo que de passagem: além de Maputo, onde está o nosso Noviciado e onde me encontro atualmente,  passei por Gaza e estive em Inhambane, à qual pertence o pequeno e pobre distrito de Panda, onde estão nossas Irmãs. Foram dez dias convivendo com o povo, visitando as comunidades, cantando com as crianças da catequese, tendo contato com os alunos da Escola Familiar Rural, da qual nossa Irmã Elvira Comin é diretora. Lugar muito seco, estradas de areia, onde há tempo não chove, sem água e sem energia, os jovens da Escola andam dois quilômetros para buscar água, lavar sua roupa e cultivar a terra de onde extraem um pouco de comida. São os chamados “machongos”, espécie de oásis no deserto, em lugares mais baixos, onde o terreno é úmido e se plantam verduras, arroz, cana, mandioca… A maioria do povo come uma vez por dia, no máximo duas, porque simplesmente não tem o que comer. As crianças chegam a andar 12 Km para ir à escola… O governo se empenha por investir na educação, mas está longe de ser o ideal, assim como a saúde, em condições muito precárias. Povo bom e acolhedor, pacífico e resistente, de muita fé e sentimento religioso!… São as Irmãs e os líderes leigos que dirigem as celebrações dominicais,  e uma vez por mês um padre da cidade de Maxixe celebra a Eucaristia.

A comunidade se divide em núcleos diversos, o que muito me encantou.  Semanalmente cada núcleo se reúne,  para cantar, rezar,  refletir sobre a Palavra de Deus, partilhar a vida… Sob as frondosas árvores (foto anexa), quase sagradas para os africanos, se sentam em círculos, no  chão da vida, capazes de passar horas juntos em oração e partilha. As mulheres moçambicanas mereceriam um capítulo à parte, pela sua garra e espírito de luta. Fortes e valentes, emocionam pela sua postura diante da vida, à frente da família e da comunidade. São elas que vão buscar água, carregando seus bebês nas “capulanas”, junto ao peito ou às costas, enxada e cesto nas mãos, lenha, bacias ou sacos na cabeça, sempre a caminho, providenciando o necessário para a sobrevivência dos seus. O dia 7 de abril é o Dia da Mulher Moçambicana, que aqui na capital será celebrado com muitas manifestações e cerimônias, cantos e danças, na praça a elas dedicada, inclusive com a presença da primeira dama e grande líder, Maria da Luz, esposa do presidente da República, Armando Guebuza. Estaremos lá…

O que dizer da música e do canto, da dança e do ritmo do povo africano?… Não cabe em palavras, está no sangue, “já na barriga da mãe”, como me dizia um jovem; é a sua alma que canta e dança, cria vozes e harmonia, de forma tão suave e natural, que nos espanta e emudece. É um louvor tão perfeito, de corpo e alma, de voz e coração, da cabeça aos pés, que nos envolve totalmente em Deus, nos faz tocar o céu. Uma das grandes razões desta minha experiência foi ter este contato: ver, ouvir e sentir a música africana, sobretudo nas liturgias, o que está superando de longe a minha expectativa… Não  há como explicar, e mesmo participando, continua o mistério de tal canto e encanto, que brota do mais íntimo do seu coração e se faz clamor, alegria e ação de graças, carregados de vida. A participação dos homens, criando vozes ou fazendo contracanto, é algo impressionante, único… Nas celebrações, todos cantam. Deus, o que sentirá?… Agora na Quaresma, os tambores e batuques silenciaram. Mas quando a Páscoa chegar, sobretudo na Vigília Pascal, será uma explosão de festa, digna da Ressurreição do Senhor e nossa…

Muitas surpresas ainda me aguardam, e que vou partilhando com as Irmãs e amigos/as. Dia 13 próximo, haverá um festival de coros, certamente imperdível… Mais notícias e fotos, vejam no meu site: www.irmamiria.com.br . Por hoje, meu abraço emocionado do coração.

 
Maputo, 3 de abril de 2011.

Ir.  Miria T. Kolling 
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