O 3º dia da Assembleia Plenária da UISG

 
 
 

Uma pequena síntese do tema abordado no terceiro dia da Plenária
por Irmã Marlise Hendges

A vida intercultural como um sinal de Esperança profética
Irmã Adriana Carla Milmanda, SSpS

A multiculturalidade e a interculturalidade se tornaram, nos últimos anos um tema transversal que é debatido em campos como a educação, a saúde, a filosofia e o mundo empresarial, entre outros. A nível teológico, há muito tempo, existe a preocupação com a inculturação da fé, do Evangelho, da liturgia, dos missionários, etc.
Desde a vida consagrada, chamada a estar nas fronteiras da Igreja, esta realidade também nos atinge, nos desinstala, nos impacta, desde o interior de nossas comunidades e até o exterior, na missão e nos apostolados.
O ponto mais crucial que preocupa a maioria das congregações é como vivê-lo e como fazê-lo.

I. O conceito de interculturalidade e conceitos relacionados
Multiculturalidade – grupo cujos membros provêm de diferentes culturas
Experiência trans-cultural – uma pessoas ou grupo de uma cultura “A” decide mudar-se para um bairro ou cidade de cultura “B”. O mudar-se implica um grau de compromisso e de risco de quem não é turista ou apenas visitante.
O processo de aprendizagem e de adaptação à outra cultura denomina-se aculturação. A aculturação é uma experiência desafiadora e enriquecedora, ao mesmo tempo, que deve levar a um equilíbrio. Na verdade, só se pode iniciar processos verdadeiramente de interculturalidade com pessoas que já tiveram, no mínimo de 3 anos, da experiência de transculturação.

Interculturalidade – a comunidade intercultural é chamada a dar um passo a mais, além da tolerância e das diferenças, e viver um processo de transformação, ou conversão, que a desafia a criar, como fruto desta interrelação, uma nova cultura. O modelo que apresenta a interculturalidade busca conhecer, valorizar, aprofundar e integrar as diferenças. A partir da fé e do poder da graça, sem dúvida, a inclusão em igualdade é o Projeto do Reino que Jesus pregou e, como tal, é obra do Espírito Santo.

Cultura: É a maneira de viver de um grupo de pessoas – comportamentos, crenças, valores e símbolos – que elas aceitam, geralmente, sem pensar e que são transmitidos através da comunicação e a imitação de uma geração a outra.

A vida intercultural não é dada automaticamente pela mera coexistência de pessoas de diferentes culturas, pelo contrário, deve ser intencionalmente construída e assumida como um processo de conversão pessoal e comunitária. Somos convidadas a torná-la um modo de vida que nos torne mais fiéis no seguimento de Jesus e na construção do Reino.

II. Como viver a Interculturalidade ? Indicamos alguns passos

1. Preparação – requer tempo e esforço à preparação das Irmãs;

– O uso de estratégias que ajudam a manter a motivação que leva a atender e a acolher a “diferença “ superando as dificuldades que ocorrerão na comunicação;
– Intencionalidade: requer crescimento na sensibilidade intercultural procurando: ferramentas que favorecem a comunicação e a resolução de conflitos. Trabalho pessoal e comunitário que favorece e desenvolve a capacidade de resiliência, e o detectar, a tempo, a atitude conformista perigosa que se contenta com uma simples tolerância da diferença.
–  Espiritualidade: como caminho espiritual, a vida e a missão interculturais, mais do que um objetivo, é uma busca e um processo.

III. A fragilidade e o poder de se converter em sinal
A vida Religiosa, hoje, imersa num mundo cada vez mais globalizado, é chamada a responder aos sinais dos tempos, transformando-se num sinal contracultura e intercultural do Projeto do Reino de Deus radicalmente inclusivo e igualitário.

A boa notícia do Espírito é que a conjuntura histórica em que nos encontramos hoje nos convida a assumir a multiculturalidade de nossas comunidades, sociedades e serviços pastorais como uma possibilidade de conversão e transformação, ao invés de vê-la como um problema a resolver.

Dar o verdadeiro lugar ao intercultural implica o “deixar ir” daquilo para o qual talvez tenhamos dado, como instituição, nossa vida e nossa paixão por muitos anos, a fim de dar lugar ao novo que está emergindo.

A URGÊNCIA DE UMA OPÇÃO INTENCIONAL A PARTIR DA PROFECIA PARA A ESPERANÇA

A vida e a missão interculturais, hoje, se tornarão um sinal de Esperança profética, se ela se construir como um novo estilo de vida alternativo.

A refundação da vida Religiosa hoje não pode ser feita separadamente da interculturalidade como um sinal dos tempos do mundo de hoje.
A verdadeira riqueza dessa prática, é o potencial impacto profético que a transformará em Esperança para o mundo de hoje.

Nós, também, se nos deixarmos desafiar e enriquecer pelo olhar do “estrangeiro “ e do culturalmente “diferente”, permitiremos a refundação de nossos carismas ampliando visão de nossos fundadores de maneira que, quem sabe, hoje nem podemos imaginar. Se respondermos aos sinais dos tempos, a partir da confiança na obra do Espírito, poderemos anunciar a boa notícia da interculturalidade, e denunciar tudo aquilo que nega, a partir da força e da riqueza do Projeto do Reino, radicalmente inclusivo, que Jesus inaugurou.

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