Quaresma: Mística, Esperança e Profecia

 
 
 

“Ide, pois, e aprendei o que significa:

Misericórdia quero, e não sacrifício” (Mt 9,13).

 

 Todos os anos a Igreja, pedagogicamente, nos alerta que Deus concede aos seus fieis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina (Prefácio I da Quaresma).

A Quaresma é sempre um novo começo, um caminho seguro de preparação à Páscoa da Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. Este tempo nos dirige um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus de todo o coração (Jl 2, 12).

Desde 1964, a Igreja no Brasil, durante a Quaresma, que é um tempo forte de vivência e prática da Oração, Jejum e a Esmola, convida os cristãos e as pessoas de boa vontade, para refletirem e assumirem uma causa social comum, através da Campanha da Fraternidade. Este ano, a Campanha da Fraternidade tem como Tema: Fraternidade e políticas públicas, e como Lema: Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1,27).

Durante a Quaresma, se vive um tempo de intensa prática quaresmal (Oração, Jejum e Esmola) que favorece uma travessia interior. Um caminho de reflexão, oração e conversão. São gestos e atitudes que humanizam nosso jeito de ser e fazer, no mundo onde estamos inseridos. Estas atitudes condensam o sentido da vida cristã. A vida cristã é um abrir-se para o outro (Esmola), um mergulhar no mistério de Deus (Oração), e ser capaz de ordenar e conduzir a própria existência (Jejum). 

A Bíblia é muito clara nas orientações destas práticas quaresmais: “o jejum que eu escolhi, diz o Senhor: soltar as cadeias injustas; desamarrar as cordas do jugo; deixar livres os oprimidos; acabar com toda espécie de imposição; repartir a comida com quem tem fome; hospedar os pobres e desabrigados, vestir aquele que se encontra sem veste” (Is 58, 6).

São Cipriano, no início da Igreja, alertava a comunidade cristã: “Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, outra coisa não são que ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, alicerces para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, leme para dirigir o caminho, refúgio para garantir a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos fiéis, conduzem-nos para o reino dos Céus” (São Cipriano).

A Quaresma, possui também, uma dupla dimensão de fé: a dimensão batismal e a dimensão penitencial. Na pedagogia litúrgica da Palavra nos são propostos três ciclos de leitura: ano A (Quaresma Batismal); ano B (Quaresma Cristocêntrica); ano C (Quaresma Penitencial). O ciclo A é mais antigo e propõe textos que possuem uma dimensão marcadamente batismal, tendo em vista que neste período, já na Igreja primitiva, dava-se início à Iniciação Cristã dos adultos.

Que o tempo quaresmal nos ajude a viver, mais profundamente, a experiência discipular do seguimento a Jesus Cristo, numa Igreja “em Saída”, uma Igreja que, profeticamente, vai ao encontro do outro comunicar a alegria do Evangelho.

 

Irmã Maria Aparecida Barboza, ICM

Conselheira Geral da Animação Missionária

 

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