Viver a Espiritualidade da Semana Santa

“Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, na qual seguimos os passos de Jesus no caminho, da cruz à ressurreição. Este é o centro e razão da fé cristã: Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição. Celebrar esta semana, com suas diferentes e intensas expressões litúrgicas e da piedade popular – comporta, para os cristãos, reviver o sentido profundo do mistério celebrado; mistério no sentido dado pela liturgia, isto é, como ‘evento de graça, momento marcante de encontro com o amor de Jesus (dom Armando Bucciol, presidente da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB).

Foi no Concílio Vaticano II, com a renovação litúrgica, que se retomou e reafirmou a centralidade do Mistério Pascal, na vida litúrgica cristã.

A espiritualidade da Semana Santa tem como centro a cruz de Cristo. A cruz essa da qual pendeu a salvação do mundo, como canta a liturgia da Sexta Feira Santa. A cruz nos lembra o sofrimento, a dor, a solidão e o abandono, mas Cristo lhe deu um novo sentido: para nós a cruz é sinal de salvação e manifestação do Deus de amor. Para os judeus ela é sinal de escândalo, para os pagãos é loucura (1ª  Cor 1, 23) e  para nós  cristãos, sabedoria de Deus e sinal de libertação.

A espiritualidade, que vivemos durante este período, é um convite a contemplar a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Vinde, subamos juntos ao monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo, que hoje volta de Betânia, e se encaminha, voluntariamente, para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério de nossa salvação (Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo, Séc. VIII).

A Semana Santa inicia com o Domingo de Ramos, que reflete e contempla o Evangelho da Paixão, a entrada de Jesus em Jerusalém. Na segunda, terça e quarta, a liturgia recorda alguns acontecimentos da vida de Jesus, nos preparando rumo ao Tríduo pascal.

Na Quinta-feira Santa abre-se o Tríduo Pascal. O dia em que celebramos a memória dos gestos e ditos de Jesus: desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer (Lc 22, 14). Dito isto, Jesus deu graças a Deus, e disse aos seus discípulos: Fazei isto em memória de mim. No Evangelho de João, temos a celebração do Lava-pés como gesto da entrega, por amor. Por isso, neste dia, celebramos dia da Instituição da Eucaristia e do Ministério Sacerdotal.

Na continuidade, temos a Sexta-Feira Santa, considerado o dia Jejum e abstinência. Mas sobretudo, o dia de recolhimento, oração e contemplação dos passos da vida de Jesus e da fidelidade de Maria, mãe das Dores, que acompanha seu Filho até a cruz.

No Sábado Santo, celebramos a Vigília Pascal. Como lembra Santo Agostinho, a vigília mãe de todas as vigílias. É um dia de meditação, oração e contemplação daquele que, por amor, deu a vida por nós.

E por fim, Domingo de Páscoa – dia do Ressuscitado. Este dia é caracterizado por ser dia de alegria plena. Celebramos a Páscoa da Ressurreição.

Tudo isso, só tem sentido em nossa vida, quando acolhida, celebrada e testemunhada com amor doação, despojamento e partilha. E como lembrava Bárbara: participemos da Paixão de Cristo para, com Ele, ressuscitar (Bárbara Maix, 1872).

Façamos, da Semana Santa, uma experiência mística capaz de nos conduzir a um crescimento na fé, a ponto de chegar à experiência do centurião romano: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus (Mc 15, 39). Contemplando o dinamismo dos passos de Jesus, o cristão contempla um novo amanhecer. Ao inclinar o ouvido para a Palavra, e participar e vivenciar o Tríduo Pascal, o cristão transborda numa grande alegria, como a das mulheres, que saíram ao encontro dos discípulos, anunciando a Boa Nova da Ressurreição: Vimos o Senhor! (Jo 20, 18).

Irmã Maria Aparecida Barboza, ICM

Conselheira do Setor de Animação Missionária

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